Os teus alunos lusófonos dizem "I have 25 years" em vez de "I am 25"? Confundem "make" e "do" porque em português é tudo "fazer"? Esquecem o "-s" da terceira pessoa? Estes erros não são distração — são interferência sistemática do português.
Experimente Amélie grátis →O português e o inglês partilham raízes indo-europeias, mas divergem em pontos críticos que geram calques previsíveis. Primeiro, o português usa "ter" para idade e sensações ("tenho 30 anos", "tenho fome"), enquanto o inglês usa "to be" — daí o clássico "I have hungry" em vez de "I am hungry". Segundo, o português marca o sujeito na conjugação ("falo", "falas", "fala") e por isso omite-o livremente; transferido para o inglês, isto produz "Is raining" em vez de "It is raining". Terceiro, a fonética: o português não tem o som /ɪ/ curto nem o /h/ aspirado, o que faz "ship" soar como "sheep" e "house" perder o H inicial. Estes três eixos — verbo "ter", sujeito nulo e fonologia — explicam 70% dos erros recorrentes.
Em inglês a idade exprime-se com 'to be', não com 'to have' como em português.
O inglês exige sempre um sujeito explícito, mesmo nos verbos meteorológicos onde o português o omite.
Para acções iniciadas no passado e ainda em curso, o inglês usa o present perfect, não o presente simples como o português.
A terceira pessoa do singular precisa do auxiliar 'does' no negativo — algo que o português não marca da mesma forma.
O português usa 'muito(s)' para tudo; o inglês distingue 'much' (incontáveis) de 'many' (contáveis).
'To agree' já é um verbo pleno em inglês — não precisa do verbo 'to be' como o português 'estar de acordo'.
Verbos como 'explain', 'describe' ou 'suggest' não aceitam objecto indirecto sem preposição em inglês, ao contrário do português.
Porque em português ambos se traduzem por 'fazer' (fazer um bolo, fazer os trabalhos de casa). A Amélie ensina por colocações fixas: 'do homework/exercise/research' (tarefas, processos) versus 'make a cake/decision/mistake' (criar, produzir). Treinar por blocos lexicais é mais eficaz do que tentar dar uma regra única.
O som /h/ não existe em português europeu nem brasileiro, por isso 'house' sai como 'ouse' e 'hot' como 'ot'. A Amélie sugere começar por uma exalação suave (como embaciar um espelho) antes da vogal, e fazer pares mínimos como 'eat/heat', 'air/hair', 'old/hold' até o aluno sentir a diferença articulatória.
Os erros morfossintáticos são quase idênticos (verbo 'ter' para idade, sujeito nulo, present perfect). Mas a fonética diverge: o português europeu reduz vogais átonas e tem mais ditongos nasais, enquanto o brasileiro abre mais as vogais e palataliza /t/ e /d/ antes de /i/. A Amélie ajusta o feedback fonético consoante a variante L1 indicada pelo aluno.
A investigação em SLA (Second Language Acquisition) mostra que a consciência metalinguística contrastiva acelera a correção em adultos e adolescentes. Esconder o L1 funciona com crianças pequenas; com aprendentes B1+ funciona melhor mostrar exactamente onde o português 'puxa' para o lado errado, para que o aluno consiga monitorizar-se.
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