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Amélie

Os erros típicos dos lusófonos em inglês (com exemplos e correções)

Os teus alunos lusófonos dizem "I have 25 years" em vez de "I am 25"? Confundem "make" e "do" porque em português é tudo "fazer"? Esquecem o "-s" da terceira pessoa? Estes erros não são distração — são interferência sistemática do português.

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Por que acontece

O português e o inglês partilham raízes indo-europeias, mas divergem em pontos críticos que geram calques previsíveis. Primeiro, o português usa "ter" para idade e sensações ("tenho 30 anos", "tenho fome"), enquanto o inglês usa "to be" — daí o clássico "I have hungry" em vez de "I am hungry". Segundo, o português marca o sujeito na conjugação ("falo", "falas", "fala") e por isso omite-o livremente; transferido para o inglês, isto produz "Is raining" em vez de "It is raining". Terceiro, a fonética: o português não tem o som /ɪ/ curto nem o /h/ aspirado, o que faz "ship" soar como "sheep" e "house" perder o H inicial. Estes três eixos — verbo "ter", sujeito nulo e fonologia — explicam 70% dos erros recorrentes.

A Mariana, professora em Lisboa, partilha com a Amélie uma redação do João, B1: "I have 22 years and I live in Porto since 5 years. Yesterday I go to cinema with my friends." A Amélie responde: "Três interferências do PT aqui. 'I have 22 years' é calque de 'tenho 22 anos' → em EN usa-se 'I am 22'. 'Since 5 years' confunde 'desde' (ponto no tempo) com 'há' (duração) → 'for 5 years'. E 'I go' em narrativa passada vem de a forma simples cobrir mais usos em PT → 'I went'." A Mariana mostra ao João — ele percebe imediatamente porque a explicação parte do português dele.

Exemplos concretos — calcos L1 → EN

❌ I have 30 years old ↳ Tenho 30 anos ✅ I am 30 years old

Em inglês a idade exprime-se com 'to be', não com 'to have' como em português.

❌ Is raining today ↳ Está a chover hoje (sujeito implícito) ✅ It is raining today

O inglês exige sempre um sujeito explícito, mesmo nos verbos meteorológicos onde o português o omite.

❌ I work here since 2020 ↳ Trabalho aqui desde 2020 ✅ I have worked here since 2020

Para acções iniciadas no passado e ainda em curso, o inglês usa o present perfect, não o presente simples como o português.

❌ He don't like coffee ↳ Ele não gosta de café (sem -s na conjugação) ✅ He doesn't like coffee

A terceira pessoa do singular precisa do auxiliar 'does' no negativo — algo que o português não marca da mesma forma.

❌ I have much friends ↳ Tenho muitos amigos ✅ I have many friends

O português usa 'muito(s)' para tudo; o inglês distingue 'much' (incontáveis) de 'many' (contáveis).

❌ I am agree with you ↳ Estou de acordo contigo ✅ I agree with you

'To agree' já é um verbo pleno em inglês — não precisa do verbo 'to be' como o português 'estar de acordo'.

❌ Explain me the rule ↳ Explica-me a regra ✅ Explain the rule to me

Verbos como 'explain', 'describe' ou 'suggest' não aceitam objecto indirecto sem preposição em inglês, ao contrário do português.

Perguntas frequentes

Porque é que os meus alunos lusófonos confundem tanto 'make' e 'do'?

Porque em português ambos se traduzem por 'fazer' (fazer um bolo, fazer os trabalhos de casa). A Amélie ensina por colocações fixas: 'do homework/exercise/research' (tarefas, processos) versus 'make a cake/decision/mistake' (criar, produzir). Treinar por blocos lexicais é mais eficaz do que tentar dar uma regra única.

Como corrigir a pronúncia do /h/ aspirado, que os lusófonos tendem a omitir?

O som /h/ não existe em português europeu nem brasileiro, por isso 'house' sai como 'ouse' e 'hot' como 'ot'. A Amélie sugere começar por uma exalação suave (como embaciar um espelho) antes da vogal, e fazer pares mínimos como 'eat/heat', 'air/hair', 'old/hold' até o aluno sentir a diferença articulatória.

Os meus alunos brasileiros e portugueses cometem os mesmos erros?

Os erros morfossintáticos são quase idênticos (verbo 'ter' para idade, sujeito nulo, present perfect). Mas a fonética diverge: o português europeu reduz vogais átonas e tem mais ditongos nasais, enquanto o brasileiro abre mais as vogais e palataliza /t/ e /d/ antes de /i/. A Amélie ajusta o feedback fonético consoante a variante L1 indicada pelo aluno.

Vale a pena explicar os erros referindo o português, ou isso reforça a interferência?

A investigação em SLA (Second Language Acquisition) mostra que a consciência metalinguística contrastiva acelera a correção em adultos e adolescentes. Esconder o L1 funciona com crianças pequenas; com aprendentes B1+ funciona melhor mostrar exactamente onde o português 'puxa' para o lado errado, para que o aluno consiga monitorizar-se.

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